As transgeneridades brasileiras atravessam o atlântico há décadas. E agora, mais uma vez, fazemos esse caminho. Queremos continuar a contar nossas histórias, corporificar memórias e imaginar outros futuros. E é assim que TRANSATLÂNTICAS chega aqui. Que possamos criar conexões.

E para isso, na Casa do Comum, dia 22 de julho de 2026, exibimos:

às 21h:

•Mitologia Têxtil, de Dorot Ruanne

•Transancestralidade: criando tecnologias e estratégias de sobrevivência, de Daena Lee e Coletivo Transancestralidade

às 22h:

•Protótipo, de Ronna Freitas de Oliveira e Rafaela Correia

•Maré Alta, de Nicola Teca

Protótipo:

Protótipo narra o processo de recriar a si mesma na transição, de recriar o corpo a partir do próprio corpo, transformando-o em uma obra viva. Ao assumir para si o poder da criação, talhamos um novo corpo, em um gesto de autonomia e invenção. Inspirada por outras que também moldaram seus próprios corpos e caminhos, descobre-se parte de uma linhagem coletiva de travestis que fazem da vida uma escultura em movimento. Sua transformação não tem início nem fim: é contínua, compartilhada e eterna.

Transancestralidade: criando tecnologias e estratégias de sobrevivência:

O documentário registra parte da residência Transancestralidade, composta por Daena Lee, Dorot Ruanne, Nicolau Andreass, Rafaela Correia e Ronna Freitas de Oliveira, discutindo principalmente ideias sobre experiências trans no Brasil, tempo e temporalidade, ancestralidade trans e outras formas de narrar o corpo, a história e a memória.

Mitologia Têxtil:

Fashion film-manifesto que apresenta a pesquisa de Dorot Ruanne sobre a sistematização da Baixa Costura, transformando lixo, memória e ancestralidade em estética, narrativa e tecnologia de sobrevivência. Filmado no Núcleo da Consciência Trans da UNICAMP e no Ilê Xirê Axé dos Orixás, o filme cria uma cosmologia têxtil onde cada look é tratado como entidade, mito e arquivo vivo das experiências travestis e trans.

Misturando performance, ritual e moda expandida, a obra propõe novas ontologias do vestir, afirmando a roupa como gesto político e espiritual. Cada criação, da Pedagogia do Lixo à Transancestralidade, revela capítulos de uma mitologia costurada por corpos dissidentes que reinventam mundo e futuro a partir das sobras.

Maré Alta:

O documentário companha a construção da Segunda Marcha Transmasculina de São Paulo, realizada em 2025, a partir do encontro de três pessoas transmasculinas que decidem fazer um filme sobre esse movimento e acabam também se tornando parte dele.

Entre entrevistas com idealizadores da marcha, falas de participantes e registros do próprio evento, o filme reúne diferentes vozes que atravessam a mobilização, compondo um retrato coletivo das transmasculinidades.

Ao articular essas presenças, Maré Alta também se volta para o próprio gesto de registrar, revelando a força do encontro e da organização política das transmasculinidades no Brasil.