Em diálogo com a exposição silêncio noir, de Luanda Francine, apresentada na Casa do Comum entre 23 de Abril e 11 de Maio, propomos o programa de cinema ruído coral. São 4 sessões em que apresentamos um conjunto de filmes que, numa deslocação do olhar humano, revelam coexistências inter-espécie e surpreendentes modos de relação entre elementos naturais. Sessão #4: THE SEA IS HISTORY, de Louis Henderson (28′ / Reino Unido / 2016)

The Sea is History, realizado na República Dominicana e no Haiti, é uma adaptação livre do poema de Derek Walcott. O filme é uma crítica materialista da monumentalização da história colonial europeia, lendo o passado como intimamente enredado no presente, como uma coisa viva e mutante feita de vivos e mortos. Filmado no Lago Enriquillo, um lago hipersalino inundado, e na cidade de Santo Domingo, o filme escava a topografia colonial da ilha como “a primeira capital do Novo Mundo”. O poema de Walcott é colocado em relação com a primeira página do livro de CLR James sobre a Revolução Haitiana, The Black Jacobins, que narra a chegada de Colombo a Ayiti/Kiskeya como o início do comércio atlântico de escravos. Neste sentido, The Sea is History sugere um caminho para além do acontecimento-limite do Plantationocene, em direção a um futuro crioulizado feito em colaboração com fantasmas de um passado revolucionário.

ESTEREOTIPIA, de Inés Espinosa López (15′ / Espanha / 2019) O cativeiro dos animais é uma decisão humana.
Um padrão comportamental aparentemente invisível, mas aos olhos de qualquer pessoa, põe em causa a privação de liberdade através de uma coreografia paranoica. EXTRAÑAS CREATURAS, de Cristóbal León, Cristina Sitja Rubio (16′ / Chile / 2019)