“Nos momentos belos a melancolia era instantânea.”

Talvez este seja o verso que nos una.

Eu também morei num bairro que tinha um jardim como fronteira, numa rua onde moravam muitas histórias

e numa casa de onde eu olhava com humor ou melancolia, tanto para fora, como para dentro das suas paredes.

Mas esse lugar já não existe.

Hoje, a cidade é um produto.

As casas são bens especulativos, as ruas são de passagem,

os bairros perdem as suas comunidades e os moradores, expulsos, ficam isolados.

Sem comunidade, não há memória.

Assim leremos “ Rua Nove Casa Vinte Um”.

Como se a poesia tivesse o poder de contrariar uma corrente forte

e trazer as pessoas de volta, reivindicando o direito à construção de memória.

Todos merecem ter uma casa.

Todos merecem ter uma janela para olhar o céu e ler poesia em pássaros.

O poeta conseguiu.

Todos temos o direito de tentar.

Uma leitura encenada por Patrícia Couveiro do livro “ Rua Nove Casa Vinte Um” de Hellington Vieira.

Com Carolina Lobato, Inês Vaz, José Miguel Vitorino, Margarida Bento, Patrícia Couveiro, Sofia Dinger, Teresa Machado e Tiago Vieira.