De 3 a 7 de junho, acontece em Lisboa a Mostra de Cinema Piracema Nu Bai, com foco no cinema Indígena, Negro e Periférico. O festival faz parte das iniciativas de extensão do projeto EDGES. A Mostra acontecerá em vários espaços da Grande Lisboa – Casa do Comum, Cinema Fernando Lopes e Mbongi 67, reunindo cineastas indígenas da América Latina e realizadores negros residentes em Portugal e na Europa.
A mostra propõe um olhar inovador sobre cinematografias historicamente marginalizadas no circuito cultural, promovendo o encontro entre diferentes expressões estéticas e experiências de resistência. Enquanto cineastas e pensadores indígenas, estarão presentes Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó (Brasil), Francisco Huichaqueo (Chile), Citlalli Andrago e Joshi Espinosa (Equador), que dialogarão com realizadores afrodescendentes baseados na Europa.
Programa: https://edges.fcsh.unl.pt/piracema-nubai-mostra-de-cinema-indigena-negro-e-periferico/
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21h30 | ENCONTROS
Com a presença de todos os realizadores
Tralkan Küra / Piedra Trueno (Francisco Huichaqueo, 2022, 10’)
Piedra Trueno en lengua mapuche fue filmada en la localidad de Chamichaco, Ercilla, Chile. El baile del Choike purün y kollón purün se realizó en territorio familiar hoy ocupado por una empresa forestal. La decisión de realizar este acto fue del niño Héctor Carilao Rukal de 12 años de edad, se consideró su opinión como acto colectivo y de necesidad comunitaria. El cerro es terreno de los abuelos de la madre del niño Leticia Rukal. Los abuelos deforestaron el cerro de pinos y eucaliptus quemándolos para hacer carbón. El peñi o hermano en lengua Mapuche, Héctor Carialo Rukal, ejerce la ritualidad en la cenizas, y mi cámara sigue como un püllü o espíritu acompañante.
O Verbo se fez Carne (Ziel Karapotó, 2019, 7’)
A invasão dos europeus em Abya Yala nos deixou cicatrizes. Ziel Karapotó utiliza seu corpo para denunciar a imposição da língua do colonizador aos povos indígenas, uma face do projeto colonialista.
Pés firmes na terra estremecida (Izabelle Louise, 2024, 16’)
Um filme encantado é um filme Tremembé. ‘pés firmes na terra estremecida’; brota sua semente a partir da encantaria, da ancestralidade, da memória e do território. Produzido na Terra Indígena Tremembé da Barra do Mundaú, em Itapipoca (Ceará, Brasil), o filme nasce da colaboração de artistas indígenas aldeados e descendentes Tremembé. A narrativa se constrói a partir dos elementos da natureza e da oralidade, revelando a presença dos seres encantados da cosmogonia – Mulher da Trouxa, Mãe D’água e Cobra Branca. Entre dunas, mares, rios e manguezais, a obra propõe uma experiência sensorial e poética a partir de um tempo circular que retoma uma pajelança imagética das memórias coletivas e ancestrais.
Um rio chamado comboio da linha de Sintra (Maíra Zenun, 12’)
E agora, quem é esta região do país? E por que a sua imagem é tão maldita, nos meios de comunicação? Qual a relação disso com a própria história de Portugal? A partir de um olhar opositivo e interveniente, ouve-se um diálogo sobre o que é o neocolonialismo português, enquanto deambulamos pela Linha de Sintra.
Mi Ayllu (Joshi Espinosa, 2008, 9’)
José se quedó. Sus hermanos partieron lejos del Ecuador. A través de los recuerdos de sus padres y las razones de sus hermanos, intenta entender por qué todos tomaron caminos distintos.
Preconceito (Olinda Tupinambá, 2021, 6’)
Preconceito é um trabalho de videoperformance que fala sobre o persistente estado de preconceito enfrentado pelos povos indígenas.