Desde que fiquei sabendo que o homem foi velado ali mesmo, na sala de cinema, rodeado de comes, bebes, livros e amigos, a coisa ganhou uma mística impossível de colocar em palavras. E o objetivo desse lab é mesmo colocar em palavras, mesmo que para isso as tenha de inventar primeiro. Uma palavra atrás da outra, em um papel enorme, ainda que não façam sentido, ainda que não se compreenda, ainda que nada digam – escrever e reescrever exaustivamente, até que a mão cansada desista e volte só amanhã de manhã, ou na próxima semana, mais tardar. É do escriba a arte de revirar um balde de merda, com ternura, com classe, com elegância, com humor – fazem-se assim os melhores.
Prometi a mim mesma que, chuva ou sol, escreveria até o infinito! Então, deixo aqui um singelo convite para virem escrever comigo – papel e caneta – e quem sabe encontrar algo que talvez tenha ficado esquecido por volta de uns anos atrás.
A poesia como a filosofia é o constante velar dos mortos e a escrita, um exercício de liberdade dos ainda vivos.