“A mais antiga livraria do mundo que desapareceu no terramoto de 1755”
Performance-instalação, banca de livros, para um local de passagem. Esta performance/questionário funciona como matéria-prima literária e possível documento social para posterior edição de um livro. Representa-se ficticiamente uma livraria/editora desaparecida em 1755, que tenta relançar-se após polémica com outra editora que a acusa de roubo de marketing. A partir da polémica com o grupo das livrarias Bertrand — “a mais antiga livraria do mundo” —, encena-se o regresso, em 2025, desta livraria desaparecida.
Este gesto convoca os conceitos de “ficção bloqueada” e “difamação consentida”, abordando o retorno da censura e autocensura no campo artístico, como pacto irónico com a ficção para provocar a realidade. A censura de uma falsa livraria despoleta um desvelamento do esqueleto humanizado e traumático do mundo cultural local: histórias reveladoras, reais ou supostas, dos últimos dezasseis anos, as coscuvilhices não contadas do meio artístico e a vida aventurosa dos seus intervenientes — plano paralelo às crises de um sector sempre em crise — o mal de viver do tecido artístico português.
Pedem-se histórias para pequenos traumas — se grandes traumas existem (não acreditamos, ironia) — e a estrutura de ficção da livraria desaparecida visa desvelá-los como subjetividade coletiva exemplar. Esta performance propõe mostrar o tecido artístico como modelo de auto-crítica e humanização e, simultaneamente, propor uma distopia onde, no futuro, este tecido se torna o único espaço seguro para experimentar a ficção.
Ficha Técnica
Título: “A mais antiga livraria do mundo que desapareceu no terramoto de 1755”
Intervenientes: Margarida Chambel e Nuno Oliveira (performance e direção artística); Gabriel Marmelo (vídeo); Roberto Gregores (figurinos); Luísa Morante (comunicação); Tiago Moura (Fotografia)
Apoios
Projeto apoiado pela edição de 2024-25 do programa “Arte pela Democracia”, uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril em parceria com a Direção-Geral das Artes; pela Câmara Municipal de Lisboa; Polo Cultural das Gaivotas; Galeria Ana Lama; Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa