“Nós estamos contigo na casa” visa reunir, a 6 e 7 de fevereiro, investigadoras, escritores e artistas no cinema e artes visuais, trabalhadoras domésticas e dirigentes associativas / sindicais. A partir de arquivos e pesquisas de terreno, juntamo-nos em torno dos temas do trabalho doméstico e de limpeza, migrações e informalidade, auto-gestão e sindicalismo.

Este encontro resulta do projeto A Voz das Trabalhadoras — Os Arquivos do Sindicato do Serviço Doméstico (1974–1992), que foi um dos 20 projetos selecionados a integrar as comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de abril pela Comissão Comemorativa.

No dia 6 de fevereiro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH), a investigadora e teórica feminista Leopoldina Fortunati estará presente para apresentar a
recente edição de uma das obras clássicas do feminismo italiano de inspiração marxista, numa conversa com a economista política Alessandra Mezzadri, professora da SOAS, Universidade de Londres. O título da conversa será: Donas de casa, prostitutas, operários e capital: O arcano da reprodução, 45 anos depois.

Ainda durante a manhã, o escritor Manuel Abrantes falará sobre o processo de criação do romance Na terra dos outros, construído a partir da sua investigação sobre o trabalho doméstico, refletindo também sobre a receção pública do livro e sobre as apresentações como momentos de partilha autobiográfica e política. Tânia Dinis e Inês Sapeta Dias abordarão a presença — ou o silêncio — das mulheres trabalhadoras domésticas na história, na memória política e no cinema.

À noite, o programa estende-se à Casa do Comum, com a exibição do filme Le Balai Libéré, da realizadora belga Coline Grando, que estará presente. O filme retrata uma luta coletiva protagonizada por trabalhadoras da limpeza numa universidade belga. A sessão será mediada por Sofia Lemos Marques, mediadora do Cinema Batalha e membro da associação MUTIM.

No sábado, 7 de fevereiro, o encontro decorre no Centro Cultural de Cabo Verde, na Rua de São Bento — a mesma onde funcionou, durante décadas, o Sindicato do Serviço Doméstico, espaço central da
memória das lutas destas trabalhadoras em Portugal.

Ao longo dos dois dias, o encontro promove um diálogo entre práticas artísticas, investigação académica, memória coletiva e ação política, convocando o arquivo como espaço vivo de conhecimento e transformação social.

Tem o apoio da transform!europe (financiada pelo Parlamento Europeu), da FCT, do CICS.Nova, IHC e In2Past.