É no coração desta 4.ª edição, sob o tema dos 50 anos de independência dos PALOP, que pulsa a exposição “Ecos da Memória”. O título é um manifesto: a história não é uma cicatriz silenciosa, mas um eco que reverbera e se transforma no presente. Com a curadoria de Ivanova Araújo, ao reunir quatro artistas que constroem um mapa polifónico da memória, a mostra não olha o passado como arquivo, mas como espelho.
Gigi Origo trabalha a sobreposição como linguagem, matéria, memória e transparência fundem-se em composições digitais que evocam a textura do real. Rostos fragmentados tornam-se arquiteturas de carne e lembrança, questionando o que, na imagem, persiste ou renasce.
Naia Sousa pinta o cosmos como território de reflexão. As suas telas, em roxos e azuis, abrem portais onde o feminino é arquétipo em metamorfose, memória feita cor e movimento.
Ricardo Parker encontra na urbanidade o seu campo visual. Entre tipografia e personagem, cria composições que traduzem a cacofonia da identidade contemporânea: uma memória gráfica e viva.
Sai Rodrigues traduz em traço a liberdade de imaginar. Inspirado pelo ofício do pai, faz da arte um espaço de afeto e construção de mundos, onde cada olhar é também uma história.
“Ecos da Memória” é, assim, um diálogo entre camadas: corpo, cor, ritmo e lembrança, um lugar onde a memória se transforma em matéria viva.
Datas: 5 a 15 de novembro – 18h30
Artistas: Gigi Rodrigues (França/Cabo Verde); Naia Sousa (Moçambique); Sai Rodrigues (Holanda/Cabo Verde); Ricardo Parker (Portugal/Cabo Verde)
Curadoria: Ivanova Araújo
Inauguração: c/ performance de dança de Sani Dubois e Spoken Word de Cynthia Perez