Tânia Neves convida Pedro Coquenão (BATIDA) para refletir sobre a forma como a herança colonial continua a manifestar-se na sociedade
contemporânea, a partir da cultura, da viagem e da prática artística.
Descolonizar a mente é um processo.
Muitas vezes, de forma inconsciente e até ingénua, não se questionam narrativas herdadas e repetidas, que moldam a forma como olhamos territórios, culturas e pessoas, e a forma como isso é recebido pelo outro. Que impacto têm na forma como viajamos, na música
que consumimos, na cultura e nos espaços que partilhamos?
Falamos de identidade e falamos de poder. De como o pensamento euro-centrado influencia imaginários, gostos e hierarquias. Dos cruzamentos entre história, representação cultural e experiência pessoal, onde se revelam tensões entre passado e presente, centro e margem, pertença e exclusão.
A partir da música, da arte e de percursos vividos, a conversa abre espaço para pensar o posicionamento (anti)colonial nas nossas práticas quotidianas: o que reproduz lógica de apropriação e desigualdade — e o que pode, pelo contrário, tornar-se ferramenta de aproximação, escuta e quebra de barreiras.
Uma conversa que pergunta, de forma direta: até que ponto carregamos, ainda, uma mente colonizada?
Pedro Coquenão (BATIDA)
Artista, músico e produtor angolano-português. Nasceu no Huambo e cresceu em Lisboa. O seu trabalho cruza música, rádio e imagem, fundindo sons afro- diaspóricos e cultura urbana. Criador de projetos como Batida, IKOQWE e do álbum Neon Colonialismo, centrais na reflexão sobre descolonização cultural, memória e futuro.
As Conversas Fora do Comum são uma proposta da unusual voyages, em diálogo com a Casa do Comum. Todos os meses, uma viagem serve de ponto de partida para uma roda de conversa que estimula o pensamento crítico, a escuta e o diálogo. Um espaço para viajar sem sair do lugar. unusual voyages é uma comunidade dedicada a experiências de viagem com impacto positivo, focada na ligação entre pessoas, culturas e territórios. Criada pela fotógrafa documental Tânia Neves, é uma forma de partilhar e dar continuidade a mais de uma década de aprendizagens no terreno, promovendo uma maneira de viajar mais consciente, com justiça, equidade e respeito pelos contextos locais.