CLUBE DE LEITURA DO COMUM – PROCURA NADA, EDUARDO BRITO
O crime perfeito, embora amiúde tentado, não existe. A eliminação definitiva do corpo é um dos procedimentos experimentados. Afinal, a ausência congemina a perfeição. Com este livro, Eduardo Brito (1977) tentou sustentadamente uma tangente a esse mítico vácuo. Trata-se de um romance (para o efeito, aceitemos o termo) a que foram removidos todos os órgãos internos, numa evisceração à antiga. Em seu torno, como alfinetes num mapa à salga, cartografam-se uma série de ausências, desaparecimentos, recusas e exclusões; curiosidades históricas que versam sobre a recusa. É sobre estes alfinetes, como quem adivinha os contornos de um corpo ausente, que se desenha, engrenando o leitor no seu motor particular, não um corpo, mas a sua procura. Costuras de um mundo estranho, pespontos de quem se estranha ou de quem estranha o mundo. A fuga e recusa de um mundo que se tornou ubíquo na sua mesmice.
Eduardo Brito tem um mestrado em Belas Artes da Universidade do Porto, uma especialização em guionismo, e é doutorando em Artes Plásticas. Trabalha em cinema, escrita e fotografia. Procura nada (2026) é o seu último livro. Juntem-se a nós, vamos falar!