No início dos anos 1970, um coletivo de artistas, jornalistas, cineastas e agitadores culturais de Teresina transformou o Super-8, então tecnologia doméstica da Kodak, em linguagem cinematográfica de vanguarda. Influenciados pela Tropicália, pelo cinema marginal brasileiro e por figuras como Torquato Neto, Ivan Cardoso, e Luiz Otávio Pimentel, nomes como Edmar Oliveira, Xico Pereira, José Alencar, Carlos Galvão, Arnaldo Albuquerque, Durvalino Couto, Haroldo Barradas, Rubem Gordim, e Nelson Nunes criaram filmes que desafiavam os códigos narrativos e a repressão da ditadura com liberdade, humor e crítica. Obras como Adão e Eva: do Paraíso ao Consumo (um filme perdido), Terror da Vermelha, Coração Materno, Tupy Nikim, Porenquanto, David Aguiar, Miss Dora, Um Sonho Americano, e Marginália mostram como esse grupo articulou uma produção descentralizada e colaborativa entre Teresina, Rio de Janeiro e Belém, usando o cinema como ferramenta de invenção estética e resistência política. Hoje essa produção é reconhecida como CINEMA MARGINAL PIAUIENSE, símbolo de uma experiência intensa de experimentação, amizade e rebeldia que transformou a margem em potência criativa.

Sessão 2: Marginais no Rio e em Belém

HELÔ E DIRCE (1971) DE LUIZ OTÁVIO PIMENTEL
PORENQUANTO (1973) DE CARLOS GALVÃO
ESCORPIÃO VERMELHO (1974) DE CARLOS GALVÃO
MARGINÁLIA (1974) DE NELSON NUNES
TUPY NIKIM (1974) DE XICO PEREIRA