“Esqueço-me das chaves mas carrego comigo todas as casas que já foram minhas” reúne um conjunto de pinturas e colagens que partem de um vocabulário visual fragmentado, onde imagens se constroem e desfazem em camadas, revelando um interesse pelo erro, pela reparação e pela resignificação como lugar de pensamento, numa tentativa sempre incompleta de dar forma ao que é instável.

Nesta primeira exposição individual, os trabalhos habitam um território entre o íntimo e o indefinido, onde o passado não surge como narrativa fixa, mas como matéria em constante reconfiguração. Há uma insistência em trabalhar o que falha, o que escapa, o que não se deixa resolver. Estes processos são, também, práticas de cura emocional e de entrega ao desconhecido, e formas de sustentar uma esperança que não depende de certezas. Num mundo que insiste em versões fechadas, coerentes e facilmente assimiláveis de quem somos, o trabalho reivindica o inacabado como espaço de liberdade, recusando a rigidez da identidade e assumindo a mudança como condição inevitável da existência.

No dia da inauguração, o espaço será ativado através de uma ação performativa em que a artista instala fragmentos de pinturas diretamente na parede, num processo aberto e em tempo real. Esta prática prolonga a lógica das obras expostas, expandindo a ideia de construção e reconstrução contínua.

“Esqueço-me das chaves mas carrego comigo todas as casas que já foram minhas” não se apresenta como um conjunto fechado, mas como um processo em curso onde o gesto de fazer coincide com o de perder, e onde cada tentativa contém, em si, a hipótese de recomeço.

– De 15/04 a 26/04